Médicos, enfermeiros e profissionais de saúde intervenientes

Dr. Luís Vieira Pinto
Dra. Beatriz Calado
Dra. Helena Ferreira
Dra. Ana Tavares de Matos

Dra. Paz Alonso Pérez
Dra. Patricia Vega Martín
Dr. David Velasco Dujo

GinecOLOGiA
Especialidades

O Dr. Luís Vieira Pinto, médico ginecologista, foi para São Tomé e Príncipe promover o rastreio do HPV e cancro do colo do útero, doença que, diz, não deveria existir: “O objetivo de um rastreio é diagnosticar alterações pré-clínicas, ou seja, que não dão queixas. O diagnóstico precoce possibilita o tratamento dessas alterações/lesões e assim previne a progressão para situações mais graves. No rastreio do cancro do colo do útero pretende-se o diagnóstico das lesões pré-malignas, que são facilmente tratáveis, mesmo em São Tomé e Príncipe, evitando a progressão para cancro”.

Aceitou o desafio que lhe foi proposto pela médica de Anatomia Patológica, a Dra. Lucília Gonçalves, com a noção de que sendo São Tomé e Príncipe “um país relativamente pequeno, tudo o que se faça tem sempre repercussões nos indicadores de saúde – e é uma mais-valia sentirmos que podemos fazer qualquer coisa. Pelas suas dimensões, São Tomé e Príncipe é um ótimo país para avaliar o impacto dos projetos de promoção da saúde e conseguiu-se, efetivamente, melhorar as condições de vida das pessoas”.

O Dr. Luís Vieria Pinto e a sua equipa calcularam que em São Tomé e Príncipe deveriam existir 25 mil mulheres entre os 25 e os 54 anos para rastreio e elaboraram um projeto para que as colheitas fossem realizadas nos Centros de Saúde. Contaram com  a colaboração do Centro de Saúde Reprodutiva da Mulher, nas consultas de saúde materno-infantil, coordenado pela enfermeira Bete.

A mortalidade por cancro do colo do útero pode ser reduzida se os casos forem detetados e tratados atempadamente, pelo que o rastreio realizado pela equipa de Anatomia Patológica e Ginecologia é fundamental para melhorar os indicadores de saúde de São Tomé e Príncipe.

O programa de rastreio teve início em novembro de 2011. “Foi dada formação específica às enfermeiras para procederem às colheitas, alertámos a população para o rastreio através de uma grande campanha nos jornais, rádio e televisão, e ainda fizemos formação nas escolas”, conta o médico. “O IMVF conseguiu financiamento para cinco mil amostras e no final de 2012 tínhamos cinco mil colheitas feitas; a amostragem era transversal a toda a população e graças ao esforço dos profissionais locais conseguimos rastrear vinte por cento da população, o que é suficiente para uma primeira avaliação epidemiológica de uma realidade até então desconhecida”.

As colheitas são analisadas no Laboratório Roriz e depois enviadas para Coimbra para fazer a tipagem do HPV, ao abrigo de um acordo com uma plataforma empresarial associada à Universidade de Coimbra. Estava previsto que a tipagem por biologia molecular fosse feita à totalidade das amostras, mas devido aos constrangimentos financeiros resultantes da crise, esta tipagem apenas foi feita a cerca de dez por cento.

“Foi uma pena, porque vinte por cento seria uma coisa única em África”, lamenta o médico.