O Ponto de Partida
Em São Tomé não existiam cuidados oftalmológicos desde 1975, data da independência. Consequentemente, a prevalência da cegueira neste país insular em 2010 era de 1% e a de baixa visão era de 2,8%, sendo que os casos com idade inferior a 50 anos representavam 18,3% e 26% respectivamente. Do frágil contexto socioeconómico do país resultava ainda a forte incidência de doenças da visão em idade pediátrica.
Em 1988, o IMVF, em parceria com o Ministério da Saúde e dos Assuntos Sociais de São Tomé e Príncipe lançou o programa Saúde para Todos, concebido para apoiar na prestação de cuidados de saúde primários de qualidade no arquipélago e na definição e execução das principais políticas de saúde. A partir de 2008, a intervenção do IMVF integra, progressivamente, os cuidados médicos de 17 especialidades.
É neste contexto que é lançado o iSee, um programa nacional de prevenção e tratamento da globalidade das doenças oftalmológicas, desenhado com base numa rápida avaliação epidemiológica das patologias da visão no país.
Perante a impossibilidade de fixar médicos especialistas nas ilhas, o iSee estruturou a sua intervenção de luta contra a doença, numa primeira etapa, em missões no terreno de equipas especializadas, com cuidados oftalmológicos polivalentes e alto nível de eficácia operacional.
Hoje, estas missões são complementadas com consultas à distância através de uma plataforma de teleoftalmologia.
Para além da necessária criação e manutenção de infraestruturas (serviços, tecnologia, logística de abastecimento), o iSee desenhou a sua acção com a consciência da necessidade de oferecer uma forte componente de formação e motivação dos técnicos locais, fundamentais para operacionalizar e garantir a continuidade do modelo.
Estabeleceram-se acordos com laboratórios (ALCON, ANGELLINI, THEA, EDOL ) e com a óptica ESSILOR, que têm sido parceiros importantes na cooperação em São Tomé e Príncipe.

