20 missao oftalmologia

Missões de Oftalmologia: especialistas realizaram mais de 1300 consultas e 200 cirurgias em STP no 1º semestre de 2016

As duas primeiras missões de 2016 de Oftalmologia a São Tomé e Príncipe possibilitaram a realização de 1343 consultas e de 210 cirurgias. Cada missão teve a duração de duas semanas, contribuindo para a prestação de cuidados médicos e de enfermagem no tratamento de doenças oftalmológicas no país.

Os objetivos definidos para as duas missões consistiam na avaliação de doentes previamente selecionados e submetidos a cirurgia nas missões anteriores e na realização de consultas e de atos cirúrgicos, dando continuidade à prestação de cuidados de saúde especializados, num país que não dispõe de nenhum médico oftalmologista residente. Para o Dr. Luís Pereira, chefe da missão da especialidade de Oftalmologia a São Tomé e Príncipe, os objetivos de ambas as missões foram cumpridos. Foi observado um elevado número de pacientes, sendo que, no total, foram realizadas 1343 consultas de oftalmologia, 216 consultas de enfermagem e 210 cirurgias, 36 das quais através de laserterapia. De todas as intervenções cirúrgicas, 140 foram dedicadas ao tratamento de cataratas.

A 18ª missão de oftalmologia decorreu de 30 de janeiro a 13 de fevereiro de 2016 e juntou uma equipa de profissionais de saúde portugueses composta por 5 médicos (Dr. Luís Pereira, Dr.ª Fernanda Vaz, Dr.ª Filipa Garcia, Dr. Mário Ornelas e Dr. Pedro Neves) e pela Enf.ª Anabela Raposo. A 19ª missão aconteceu de 28 de maio a 11 de junho de 2016 e contou com um grupo de profissionais de saúde constituído por 4 médicos (Dr. Luís Pereira, Dr.ª Fernanda Vaz, Dr.ª Filipa Garcia, Dr. Mário Ornelas e Dr. Pedro Neves) e pela Enf.ª Anabela Raposo, todos eles pertencentes ao Serviço de Oftalmologia do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental – Hospital Egas Moniz. Os cuidados médicos foram prestados no Hospital Dr. Ayres de Menezes, em São Tomé e Príncipe.

Outro dos objetivos cumpridos em ambas as missões foi o de dotar os profissionais de saúde são-tomenses na observação e avaliação de doentes, bem como na utilização adequada dos equipamentos médicos, tendo sido dada formação no decorrer das consultas de oftalmologia e no próprio bloco cirúrgico. Na 18ª missão foi realizado o curso teórico-prático “TELEYE uma ferramenta do iSEE”, que permitiu explicar as mais-valias do sistema de telemedicina oftalmológica: avaliação e resposta ou orientação terapêutica rápida, rastreio e listagem de pacientes para consultas e cirurgias, acompanhamento/seguimento dos pós-operatórios após as missões, possibilidade de formação/capacitação teórica e prática, e possibilidade de servir como apoio ou segunda opinião a outras especialidades. O TELEYE foi inaugurado em fevereiro de 2015 e integra um conjunto de equipamentos, possibilitando a realização de exames oftalmológicos entre São Tomé e Lisboa. Já na 19ª missão houve lugar para a apresentação do trabalho “Oftalmologia para os cuidados de saúde primários”, na sessão clínica, uma das atividades inseridas nas missões. A próxima missão de oftalmologia a São Tomé e Príncipe vai decorrer entre os dias 1 a 15 de outubro de 2016.

As missões da especialidade de oftalmologia enquadram-se no Saúde para Todos: Programa Integrado – Projeto de Cuidados Especializados e Telemedicina, implementado pelo IMVF em estreita parceria com Ministério da Saúde e dos Assuntos Sociais de São Tomé e Príncipe e cofinanciado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Direção de Geral de Saúde de Portugal.

Saiba mais sobre este projeto aqui.

19 Missão Otorrinolaringologia

“A rubéola ainda causa perda auditiva”: estudo apresentado por médicos do Saúde para Todos

O poster sobre a relação entre a rubéola e a perda de audição em São Tomé e Príncipe foi apresentado no 13º Congresso da Sociedade Europeia de Pediatria Otorrinolaringológica, que decorreu entre 18 e 21 de junho de 2016, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Uma das principais conclusões do estudo aponta para a urgência de disponibilizar a vacina para prevenir a rubéola no país.

O poster “Rubella is still causing Hearing loss” é um trabalho assinado por 8 autores de 5 instituições, entre os quais, o Prof. Dr. João Paço, a Dr. Cristina Caroça e a Dra. Paula Campelo, do Hospital CUF Infante Santo, que integram as missões médicas de ORL a São Tomé e Príncipe, no âmbito do projeto Saúde para Todos: Especialidades.

A vacinação para prevenir a rubéola não está disponível no arquipélago são-tomense e a epidemiologia e a imunidade em relação à rubéola nunca tinham sido estudadas nesta população. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar o sistema imunitário a partir de amostras recolhidas durante as missões humanitárias a São Tomé e Príncipe, bem como descobrir se existe associação entre a rubéola IgG e a perda auditiva.

Segundo os autores, “prevenir a perda auditiva é essencial numa comunidade onde essa prevalência é alta em crianças. É obrigatório identificar os principais fatores de risco. O desafio torna-se ainda mais significativo quando alguns deles podem ser evitados.”

Verificou-se, em São Tomé e Príncipe, um aumento da prevalência de perda auditiva neuro sensorial causada pela rubéola. Durante a gravidez – sobretudo durante o primeiro trimestre de gestação – se uma mulher contrair rubéola, há 90% de probabilidades de o feto desenvolver a síndrome da rubéola, podendo nascer com várias deficiências, isto se sobreviver. A perda auditiva é um dos possíveis problemas consequentes.

Como metodologia de estudo, foram observadas 147 pessoas dos 2 aos 14 anos, tendo sido efetuadas avaliações audiológicas e colheitas de sangue. Os indivíduos foram divididos em 2 grupos: o case group, em que, pelo menos, num dos ouvidos havia perda auditiva; e o control group, no qual ambos os ouvidos não tinham qualquer problema auditivo. O primeiro grupo reuniu 68 crianças, enquanto que o segundo juntou 79.

Os resultados do estudo apontaram para a existência de rubéola IgG em 50,3% dos indivíduos, confirmando-se uma associação estatisticamente significativa entre a perda auditiva e a infeção por rubéola, que atua como um fator de risco, duplicando as possibilidades de perda de audição. Os autores concluem, assim, que é urgente disponibilizar a vacina para prevenção no país.

O Saúde para Todos: Especialidades, implementado em São Tomé e Príncipe pelo IMVF em estreita parceria com o Ministério da Saúde e dos Assuntos Sociais de São Tomé e Príncipe e financiado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Direção de Geral de Saúde de Portugal. Saiba mais sobre o projeto aqui.

Consulte o poster “Rubella is still causing Hearing loss” aqui.