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“A rubéola ainda causa perda auditiva”: estudo apresentado por médicos do Saúde para Todos

O poster sobre a relação entre a rubéola e a perda de audição em São Tomé e Príncipe foi apresentado no 13º Congresso da Sociedade Europeia de Pediatria Otorrinolaringológica, que decorreu entre 18 e 21 de junho de 2016, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Uma das principais conclusões do estudo aponta para a urgência de disponibilizar a vacina para prevenir a rubéola no país.

O poster “Rubella is still causing Hearing loss” é um trabalho assinado por 8 autores de 5 instituições, entre os quais, o Prof. Dr. João Paço, a Dr. Cristina Caroça e a Dra. Paula Campelo, do Hospital CUF Infante Santo, que integram as missões médicas de ORL a São Tomé e Príncipe, no âmbito do projeto Saúde para Todos: Especialidades.

A vacinação para prevenir a rubéola não está disponível no arquipélago são-tomense e a epidemiologia e a imunidade em relação à rubéola nunca tinham sido estudadas nesta população. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar o sistema imunitário a partir de amostras recolhidas durante as missões humanitárias a São Tomé e Príncipe, bem como descobrir se existe associação entre a rubéola IgG e a perda auditiva.

Segundo os autores, “prevenir a perda auditiva é essencial numa comunidade onde essa prevalência é alta em crianças. É obrigatório identificar os principais fatores de risco. O desafio torna-se ainda mais significativo quando alguns deles podem ser evitados.”

Verificou-se, em São Tomé e Príncipe, um aumento da prevalência de perda auditiva neuro sensorial causada pela rubéola. Durante a gravidez – sobretudo durante o primeiro trimestre de gestação – se uma mulher contrair rubéola, há 90% de probabilidades de o feto desenvolver a síndrome da rubéola, podendo nascer com várias deficiências, isto se sobreviver. A perda auditiva é um dos possíveis problemas consequentes.

Como metodologia de estudo, foram observadas 147 pessoas dos 2 aos 14 anos, tendo sido efetuadas avaliações audiológicas e colheitas de sangue. Os indivíduos foram divididos em 2 grupos: o case group, em que, pelo menos, num dos ouvidos havia perda auditiva; e o control group, no qual ambos os ouvidos não tinham qualquer problema auditivo. O primeiro grupo reuniu 68 crianças, enquanto que o segundo juntou 79.

Os resultados do estudo apontaram para a existência de rubéola IgG em 50,3% dos indivíduos, confirmando-se uma associação estatisticamente significativa entre a perda auditiva e a infeção por rubéola, que atua como um fator de risco, duplicando as possibilidades de perda de audição. Os autores concluem, assim, que é urgente disponibilizar a vacina para prevenção no país.

O Saúde para Todos: Especialidades, implementado em São Tomé e Príncipe pelo IMVF em estreita parceria com o Ministério da Saúde e dos Assuntos Sociais de São Tomé e Príncipe e financiado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Direção de Geral de Saúde de Portugal. Saiba mais sobre o projeto aqui.

Consulte o poster “Rubella is still causing Hearing loss” aqui.

Saude para todos

Especialidades realiza teleconsulta experimental de Oncologia entre Lisboa e São Tomé

Uma consulta-teste de Telemedicina de Oncologia entre Lisboa e São Tomé, orientada pelas médicas Celeste Alves, imagiologista e Fátima Cardoso, diretora da Unidade de Mama do Centro Clínico Champalimaud, decorreu no dia 31 de março de 2016, na Fundação Champalimaud, tendo sido avaliados dois doentes. Esta teleconsulta contou com a colaboração do Dr. Luís Carreiro, médico pneumologista. Os referidos médicos colaboram e integram as missões médicas a São Tomé e Príncipe no quadro do Programa Saúde para Todos: Especialidades.

Na sala de Telemedicina do Hospital Dr. Ayres de Menezes, em São Tomé,
estiveram presentes a Dra. Esperança Carvalho, que vai fazer o acompanhamento médico das doentes e o Dr. Pascoal d’Apresentação, que vai fazer os procedimentos cirúrgicos. A ambos os doentes, já sem benefício clínico de evacuação para Portugal, foram disponibilizados medicamentos, a fim de controlar a sua situação clínica, evitar o agravamento e atrasar o progresso da doença.

O sentimento geral é expresso pela médica Celeste Alves: “Esperamos todos que possa ser o início de um longo caminho, que culmine com o criar de condições locais para o tratamento das doenças oncológicas”.

Em março de 2011, o IMVF realizou a sua primeira teleconsulta, com o apoio da PT Inovação e da Universidade de Aveiro, aproximando o Hospital Central de São Tomé e Príncipe dos médicos especialistas em Portugal, permitindo o seguimento e a orientação de casos clínicos mais complexos e, paralelamente, a formação e acompanhamento à distância dos profissionais de saúde são-tomenses. Desde então, a plataforma de Telemedicina Medigraf conheceu uma evolução tecnológica significativa e integra atualmente a maioria das especialidades médicas.

O programa Saúde para Todos, implementado pelo IMVF em estreita parceria com o Ministério da Saúde e dos AssuntosSociais de São Tomé e Príncipe, é financiado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Direção de Geral de Saúde de Portugal.

creatinghealth

O IMVF tornou-se membro do Conselho Social do Creating Health

O Instituto Marquês de Valle Flôr é um dos mais recentes membros do Conselho Social do Creating Health – Research and Innovation Funding, um gabinete de apoio à captação de financiamento para a Inovação e Investigação (I&I) em Saúde.

Presidido pelo Dr. Jorge Sampaio, antigo Presidente da República de Portugal, o Conselho Social do Creating Health tem como principal propósito aproximar a ciência e a sociedade civil. Para tal, o Conselho integra personalidades e instCreating Healthituições (públicas e privadas, com fins públicos e sem fins lucrativos) que tenham ou não uma ligação direta à área da Saúde.

O Conselho Social, que serve como interlocutor para alcançar os objetivos do Creating Health pretende, igualmente, promover e apoiar a candidatura a fundos nacionais e europeus que ajudem ao cumprimento da estratégia dos seus membros em termos de Investigação e Inovação em Saúde, afirmando-se também como um espaço de partilha de experiências e boas-práticas (projetos, iniciativas e atividades) entre membros.

O Creating Health é uma iniciativa criada com o empenho de várias instituições e procura diferenciar-se através da prestação de um serviço público, sem fins lucrativos e especializado na área da Saúde. Este gabinete disponibiliza apoio para a captação de fundos públicos e privados na área da Saúde, promovendo também ações de carácter filantrópico, científico, educativo e cultural. O seu principal enfoque assenta no Programa-Quadro de I&I da União Europeia, Horizonte 2020, sob coordenação da área de Saúde Pública do Instituto de Ciências da Saúde (ICS) da Universidade Católica Portuguesa (UCP).

Saiba mais sobre o Creating Health aqui e conheça aqui o seu Conselho Social.

Jornadas de Otorrinolaringologia

Jornadas de Otorrinolaringologia regressam a São Tomé e Príncipe para a 4ª edição

As Jornadas Luso-São-Tomenses de Otorrinolaringologia voltam ao Centro Cultural Português, em São Tomé e Príncipe, no próximo dia 26 de fevereiro de 2016. O evento tem como mentor o Prof. Doutor João Paço, chefe da missão de Otorrinolaringologia no âmbito do programa Saúde para Todos: Especialidades e conta o alto patrocínio da Cooperação Portuguesa e da Embaixada de Portugal em São Tomé e Príncipe. Esta é a 4ª edição das Jornadas e, este ano, o principal tema são as Urgências em Otorrinolaringologia.

Com o objetivo de formar o corpo clínico são-tomense e atualizar conhecimentos para uma melhor orientação terapêutica dos doentes, este ano as Jornadas vão abordar temáticas relacionadas com a urgência otológica (paralisia facial e surdez súbita) e com as patologias urgentes rinológica, orofaríngea, laríngea, cervical e do ouvido (interno, médio, externo). Os profissionais de saúde que vão conduzir as palestras exercem atividade nos hospitais CUF Infante Santo e D. Estefânia – Centro Hospitalar de Lisboa Central.

As Jornadas integram-se na missão da especialidade de Otorrinolaringologia, que decorre de 20 a 27 de fevereiro de 2016, e que desde 2011 promove a deslocação regular de profissionais de saúde portugueses desta especialidade a São Tomé e Príncipe para prestar cuidados de saúde e realizar ações de formação teórico-práticas no quadro do atual programa Saúde para Todos, implementado pelo IMVF em estreita parceria com o Ministério da Saúde e dos Assuntos Sociais de São Tomé e Príncipe e financiado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. É de realçar que 23 das 32 especialidades médicas realizam missões a São Tomé e Príncipe no âmbito do referido programa.

As sessões de abertura e de encerramento das Jornadas vão contar com a presença do Prof. Doutor João Paço, diretor clínico do Hospital CUF Infante Santo, professor catedrático na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e chefe da missão de Otorrinolaringologia em São Tomé e Príncipe, do Dr. Edgar Neves, coordenador de projetos do IMVF em São Tomé e Príncipe, da Dra. Paula Silva, Embaixadora de Portugal em São Tomé e Príncipe e da Dra. Maria de Jesus Trovoada, Ministra da Saúde de São Tomé e Príncipe (presença sujeita a confirmação).

As primeiras Jornadas Luso-São-Tomenses de Otorrinolaringologia foram organizadas em 2013 e prevê-se a sua continuidade anual no quadro das missões de Otorrinolaringologia do Saúde para Todos: Especialidades. Este evento conta com o alto patrocínio da Cooperação Portuguesa e da Embaixada de Portugal em São Tomé e Príncipe e com o patrocínio científico da Ordem dos Médicos Portuguesa, do Colégio da especialidade de Otorrinolaringologia da Ordem dos Médicos e da Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e tem como golden sponsors a Academia CUF, o Hospital CUF Infante Santo (HCIS) – José de Mello Saúde, a Universidade Católica Portuguesa (UCL), a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (FCM – UNL) e o IMVF.

Consulte aqui o programa da 4ª edição das Jornadas Luso-São-Tomenses de Otorrinolaringologia.

Missão Gastrenterologia

Missão de Gastrenterologia esteve pela primeira vez em São Tomé e Príncipe

Médicos portugueses da especialidade de Gastrenterologia deslocaram-se pela primeira vez a São Tomé e Príncipe, numa missão que permitiu o diagnóstico e a orientação terapêutica de doentes e a realização de formações dirigidas a médicos e enfermeiros são-tomenses.

A missão foi organizada pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) no âmbito do Programa Saúde para Todos: Especialidades em parceira com o Serviço de Gastrenterologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC). Num país onde não existe nenhum especialista em Gastrenterologista, a equipa de médicos portugueses coordenada pelo Dr. José Eduardo Pina Cabral, médico no CHUC, integrou a médica Dr.ª. Sara Campos e a Enfª. Marisa Melo, e exerceu atividade durante uma semana (de 11 a 16 de janeiro de 2016), no Hospital Dr. Ayres de Menezes, em São Tomé.

Esta foi a primeira missão da especialidade, mas prevê-se a sua continuidade no âmbito do Saúde para Todos: Especialidades, um projeto que conta já com 23 especialidades médicas envolvidas e que é implementado pelo IMVF em parceria com o Ministério da Saúde e dos Assuntos Sociais de São Tomé e Príncipe e cofinanciado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua I.P., pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Direção Geral da Saúde.

Atividade Técnica:

  • Avaliação dos recursos materiais e humanos existentes no país na área de Gastrenterologia e Endoscopia Digestiva.
  • Aprovisionamento da Unidade de Endoscopia com diversos equipamentos e instrumentos (graças ao apoio de empresas portuguesas como: Higiplus, Endowork e Laboratório Norgine);
  • Realização de 55 exames endoscópicos;
  • Realização da primeira endoscopia digestiva alta sob sedação, com apoio de anestesista, no bloco operatório, a um doente com 12 anos internado com hemorragia digestiva alta.

Atividade Assistencial:

  • Avaliação de 12 doentes em regime de consulta externa, internamento e serviço de urgência.
  • Diagnóstico de doença de Hirschprung, possível graças à colaboração com a Dra. Celeste Alves (chefe da missão de imagiologia do IMVF), com a realização do primeiro clister opaco no país.

Evacuação de doentes para Portugal:

  • Recomendada a evacuação de 5 doentes para Portugal devido à gravidade dos casos e à necessidade de uma terapêutica complementar não disponível em São Tomé e Príncipe.

Atividade formativa:

  • Formação on the job a médicos e enfermeiros são-tomenses no decorrer da atividade clinica no Hospital Dr. Ayres de Menezes;
  • Participação no I Curso de Emergência Médica (12 a 15 de janeiro de 2016):
    • Sessão sobre Emergências Gastrenterologia, que incidiu sobre a Hemorragia Digestiva Alta (Dr. José Eduardo Pina Cabral) e Sessão sobre o Sistema de Triagem de Manchester, com foco na patologia gastroenterológica de urgência (Dra. Sara Campos).
  • Transmissão de informação via média (TVS) à população são-tomense sobre a importância da saúde digestiva, dos riscos do alcoolismo crónico e da necessidade de prevenir doenças transmissíveis como as hepatites virais B e C. – Vídeo TVS (21.35) disponível aqui.

Balanço da missão: “Concluída a missão, é nossa opinião que a mesma decorreu de forma muito positiva. Foi cumprido o propósito principal, foram avaliados e orientados, em termos de terapêutica e de vigilância, os doentes de São Tomé e Príncipe com sintomatologia digestiva triados como prioritários”, (fonte: relatório da missão elaborado pela equipa médica chefiada pelo Dr. José Eduardo Pina Cabral, e que integrou a Dr.ª. Sara Campos e a Enfª. Marisa Melo).

Objetivos para o futuro: Este foi o primeiro passo de uma atuação que se pretende regular, pelo que são objetivos da missão de Gastroenterologia para o triénio de 2016-2018 os seguintes:

  • Celebração de um protocolo de evacuação dos doentes são-tomenses do foro da Gastrenterologia com o serviço de Gastrenterologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra;
  • Extensão da Telemedicina à Gastrenterologia;
  • Continuação da realização de missões de curta duração a São Tomé e Príncipe;
  • Criação da Unidade de Gastrenterologia no Hospital Dr. Ayres de Menezes;
  • Formação complementar especializada em Gastroenterologia dirigida aos médicos e enfermeiros que asseguram a atividade na Unidade de Endoscopia do Hospital Dr. Ayres de Menezes;
  • Curso de formação em Gastroenterologia dirigido à classe médica e de enfermagem são-tomense;
  • Realização de rastreios (hepatites virais e helicobacter pylori) e posterior desenvolvimento de estudos.

Clipping: Especialistas do CHUC dão formação em São Tomé e Príncipe na área da Gastrenterologia (JustNews).

Missões de Ortopedia cumprem objetivos definidos para 2015 nas idas a São Tomé e Príncipe

Em 2015, a missão de ortopedia esteve em São Tomé e Príncipe nos períodos de 20 a 26 de junho e de 5 a 12 de dezembro, tendo exercido atividade no Hospital Dr. Ayres de Menezes ao abrigo do programa: “Saúde para Todos, Programa Integrado – Projeto de Cuidados Especializados e Telemedicina”.

Em 2015 realizaram-se duas missões de ortopedia em São Tomé e Príncipe, nos períodos de 20 a 26 de junho e de 5 a 12 de dezembro, tendo a equipa de médicos portugueses exercido atividade no Hospital Dr. Ayres de Menezes ao abrigo do programa: “Saúde para Todos, Programa Integrado – Projeto de Cuidados Especializados e Telemedicina”.

Em ambas as missões, a equipa composta por médicos e enfermeiros portugueses do Hospital Dona Estefânia e do Hospital de Vila Franca de Xira foi chefiada pela Dra. Susana Norte Ramos e pela Dra. Glória Magalhães, respetivamente, tendo contado com a colaboração de ortopedistas do Hospital Dr. Ayres Menezes e respetivos membros do bloco operatório em todas as intervenções realizadas.

Primeiramente foi feita a identificação do material disponível – o Hospital de Vila Franca de Xira doou material ortopédico e cirúrgico ao Hospital Dr. Ayres de Menezes – para a realização dos procedimentos cirúrgicos. Após a avaliação de mais de 40 doentes previamente triados pelos ortopedistas locais em consulta foram identificados os casos passíveis de tratamento cirúrgico no decorrer das missões. No total, realizaram-se 27 cirurgias a pacientes entre os 3 e os 61 anos e foram levadas a cabo várias formações on the job e sessões clinicas no Hospital.

No final das missões, a equipa considerou que os objetivos previamente definidos foram cumpridos, nomeadamente a nível do plano cirúrgico inicialmente delineado, e destacou a boa colaboração que existiu entre as equipas médicas portuguesas e são-tomenses, mantendo-os informados sobre a evolução dos doentes após o regresso dos médicos a Portugal.

Atualmente o Saúde para Todos desenvolve missões em 23 especialidades com a colaboração de 27 hospitais e instituições de saúde portuguesas para complementar o leque de cuidados necessários com eficácia operacional e baixo custo (cerca de 18% quando comparados com os custos do sistema nacional de saúde português), sendo possível reduzir o número de evacuações sanitárias de São Tomé e Príncipe para Portugal

A primeira missão de ortopedia ocorreu em 2009, com idas frequentes dos médicos missionários a São Tomé e Príncipe no âmbito do projeto: “Saúde para Todos – Especialidades” implementado pelo Instituto Marquês de Valle Flôr em parceria com o Ministério da Saúde e dos Assuntos Sociais de São Tomé e Príncipe e cofinanciado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua I.P., pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Direção Geral da Saúde.

Saiba mais sobre este projeto aqui.

otorrino

Missões de Otorrinolaringologia realizaram mais de 400 consultas e mais de 600 exames

As missões de Otorrinolaringologia e Audiologia chefiadas pelo Prof. Dr. João Paço, diretor clínico do Hospital CUF Infante Santo estiveram em São Tomé e Príncipe, naquelas que foram as 14ª, 15ª e a 16ª missões desta especialidade em 2015, no âmbito do projeto “Saúde para Todos: Programa Integrado – Projeto de Cuidados Especializados e Telemedicina”.

De 28 de fevereiro a 7 de março, de 23 a 30 de maio e de 11 a 18 de julho, a equipa de missionários portugueses constituída por médicos, enfermeiros, audiologistas e uma terapeuta da fala provenientes do Hospital CUF Infante Santo exerceram a sua atividade clínica no Hospital Dr. Ayres de Menezes, no Hospital Dr. Manuel Quaresma Dias da Graça e nos centros de saúde de Neves e de Água Izé, tendo realizado 123 consultas de otorrinolaringologia, 68 intervenções cirúrgicas, 218 consultas e 535 exames de audiologia, 90 consultas de próteses auditivas, 106 exames audiométricos e41 consultas de terapia da fala.

Foram também realizados vários rastreios auditivos neonatais em São Tomé e no Príncipe, ministradas formações para o tratamento de próteses auditivas na ausência das missões, bem como formações dirigidas às enfermeiras da neonatologia para a realização de rastreios auditivos. Foi ainda realizada uma ação de sensibilização sobre a saúde vocal nas escolas e várias reuniões clínicas sobre rastreio auditivo neonatal e consulta de audiofonologia. As Jornadas Luso-São-Tomenses de Otorrinolaringologia regressaram ao Centro Cultural Português com o tema “A Voz e a Patologia Cervical”, naquela que foi a 3ª edição deste encontro anual.

Continua em curso o projeto de investigação que tem como objetivo determinar se existe uma associação entre os traços de hemoglobinopatias e a surdez neuro sensorial e eventuais causas da surdez em São Tomé e Príncipe. Foi também feita a avaliação da evolução das crianças seguidas nas missões anteriores e a referenciação de doentes para a próxima missão, que vai decorrer até ao final deste ano.

A primeira missão de otorrinolaringologia teve lugar em 2011, e desde então têm sido regulares as idas de profissionais de saúde desta especialidade a São Tomé, contando com o apoio do Hospital CUF Infante Santo e da Amplifon, no âmbito do “Saúde para Todos: Especialidades”, implementado pelo IMVF em estreita parceria com o Ministério da Saúde e dos Assuntos Sociais de São Tomé e Príncipe e que conta com o cofinanciamento do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e da Fundação Calouste Gulbenkian.

Saiba mais sobre este projeto aqui.

Missão de Oftalmologia esteve em São Tomé e ajudou a curar casos de cegueira

A mais recente missão de oftalmologia promovida pelo IMVF em São Tomé e Príncipe permitiu a observação de mais de 500 doentes e a realização de mais de 70 intervenções cirúrgicas durante duas semanas, atuando na prevenção e na cura da cegueira e de outras doenças oftalmológicas.

Entre os dias 30 de maio e 13 de junho de 2015, uma equipa de profissionais portugueses constituída por 5 médicos e uma enfermeira do serviço de oftalmologia do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental – Hospital Egas Moniz realizou 509 consultas, 73 cirurgias e várias comunicações e ações de formação em bloco operatório e em contexto de consulta dirigidas a técnicos locais, possibilitando capacitar os profissionais são-tomenses na observação e avaliação de doentes e na correta utilização dos equipamentos médicos.

A avaliação dos doentes previamente selecionados e submetidos a cirurgia nas missões anteriores e a realização de intervenções cirúrgicas de acordo com as patologias detetadas, dando continuidade à assistência médica e cirúrgica oftalmológica foram os principais objetivos cumpridos nos 15 dias em que a equipa liderada pelo Dr. Luís Dias Pereira, chefe da missão da especialidade de oftalmologia em São Tomé e Príncipe no âmbito do Saúde para Todos: Programa Integrado – Projeto de Cuidados Especialidades e Telemedicina esteve no terreno.

Somente às cataratas, a principal causa de cegueira reversível a nível mundial, foram submetidos a cirurgia 39 pacientes, um dos quais em idade pediátrica, operados no Hospital Dr. Ayres de Menezes. Através da introdução de uma lente intraocular recuperaram integralmente a visão, evitando-se a cegueira. 8 das cirurgias foram feitas a glaucomas, as restantes a outras patologias graves identificadas.

Foram ainda realizadas 74 consultas de enfermagem, 11 intervenções com recurso a laser e 60 exames complementares de diagnóstico (estudos ecográficos e biometrias), ajudando ao correto seguimento dos doentes e foram reavaliados alguns doentes observados previamente entre missões através do TELEYE, a solução de telemedicina inaugurada em fevereiro de 2015 que integra um conjunto de equipamentos de oftalmologia e que permite a realização de exames oftalmológicos completos à distância entre São Tomé e Lisboa.

No decorrer desta missão foi também realizado um rastreio oftalmológico em idade pediátrica, no qual onde foram avaliadas 128 crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 13 anos. Esta ação envolveu 3 escolas do ensino primário (1º e 2º ano de escolaridade) das regiões de Potó, Madalena e Santana. Foram sinalizadas 16 crianças com problemas oftalmológicos, que deverão ser submetidas a uma avaliação mais rigorosa a nível da consulta de oftalmologia.

Esta é a segunda missão de especialidade de oftalmologia realizada este ano, e a 17.ª desde o início do projeto Saúde para Todos: Programa Integrado – Projeto de Cuidados Especialidades e Telemedicina, promovido pelo IMVF em estreita parceria com Ministério da Saúde e dos Assuntos Sociais de São Tomé e Príncipe e cofinanciado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e pela Fundação Calouste Gulbenkian.

A próxima missão tem data marcada para os dias 3 a 17 de outubro de 2015 e a equipa será constituída por 4 médicos e uma enfermeira.

Reunião de Oftalmologia e Pediatria

Desenvolvimento da visão, patologia neonatal, infeciologia, traumatologia e anestesia em oftalmologia foram os principais temas abordados na Reunião de Oftalmologia e Pediatria que decorreu no dia 6 de junho, no Centro Cultural Português no âmbito da 17º missão da especialidade de oftalmologia.

A sessão de abertura e de encerramento da reunião contou com a presença do primeiro secretário da Embaixada de Portugal em São Tomé e Príncipe, Dr. Nuno Félix, em representação da Embaixadora de Portugal no país, Dra. Paula Silva, do diretor dos cuidados de saúde, Dr. Amadeu Maia, em representação da Ministra da Saúde são-tomense, Dra. Maria de Jesus Trovoada, do coordenador de projetos do IMVF em São Tomé e Príncipe, Dr. Edgar Neves, do diretor clínico do Hospital Ayres de Menezes, Dr. Celso Matos e do chefe da missão de oftalmologia em São Tomé e Príncipe, Dr. Luis Dias Pereira.

Esta iniciativa, que decorreu no quadro do programa Saúde para Todos: Especialidades, contou com o apoio do IMVF, do Ministério da Saúde e dos Assuntos Sociais de São Tomé e Príncipe, do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e da Fundação Calouste Gulbenkian e com o patrocínio da Essilor.

Saúde para Todos em números 

Desde 2008 que os técnicos são-tomenses contam com o apoio permanente de equipas portuguesas de várias especialidades médicas, que ajudam a identificar casos urgentes, realizam consultas e cirurgias e dão formação “on the job”. Tudo graças ao projeto Saúde para Todos: Programa Integrado – Projeto de Cuidados Especialidades e Telemedicina. Os números são exemplificativos dos resultados que têm vindo a ser alcançados no âmbito deste programa: mais de 20 mil consultas, mais de 3 mil intervenções cirúrgicas e mais de 300 sessões de formação das diversas especialidades até ao momento. Uma iniciativa que tem vindo a complementar, de forma eficaz e sustentável, a prestação de cuidados preventivos e primários, com assistência local especializada de cuidados secundários e terciários.

As missões médicas da especialidade de oftalmologia – decorrentes entre 2010 e 2014 – representaram o equivalente a 19,9% dos custos previstos caso o tratamento decorresse em Portugal, contribuindo para uma poupança de 80,1% (equivalência a valor de Grupo de Diagnósticos Homogéneos – GDH em Portugal). A utilização de somente 1/5 do valor total previsto para as intervenções em Portugal vem reforçar o relevante papel que as missões de especialidade têm desenvolvido no terreno, demonstrando uma clara eficiência na utilização de recursos face ao número de intervenções realizadas.

As missões médicas de curta duração permitiram já reduzir os elevados custos financeiros e sociais associados às evacuações sanitárias, tanto para os Governos como para os utentes, abrindo caminho para a autonomização da prestação de assistência especializada pelos próprios técnicos locais. Um processo que tem sido fortemente apoiado por um sistema de Telemedicina que permite um maior acompanhamento à distância, a assistência técnica especialidade em tempo real e uma melhor gestão dos pacientes e, por conseguinte, uma maior eficácia destas deslocações médicas pontuais.

O IMVF começou a atuar em São Tomé e Príncipe em 1988 no âmbito dos cuidados de saúde preventivos e primários, tendo na época a cobertura de apenas um distrito. A sua intervenção no setor da saúde foi progredindo e desde 2008 que são desenvolvidas missões médicas que neste momento abrangem 22 especialidades em todo o território.

Saiba mais sobre este projeto aqui.

 

Apresentação do livro “Saúde para Todos: 25 anos ao serviço de São Tomé e Príncipe”

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O Instituto Marquês de Valle Flôr lançou o livro “Saúde para Todos: 25 anos ao serviço de São Tomé e Príncipe” no dia 15 de abril às 18.30 horas no Auditório 2 da Fundação Calouste de Gulbenkian. A sessão de encerramento do evento contou com a intervenção do Secretário de Estado Ajunto da Saúde, Fernando Leal da Costa.

No âmbito da comemoração dos 25 anos do programa Saúde para Todos, em São Tomé e Príncipe, o livro “Saúde para Todos: 25 anos ao serviço de São Tomé e Príncipe” reúne um conjunto de histórias do projeto e dos seus protagonistas, de todos aqueles que num espírito de cooperação e solidariedade contribuem para a persecução deste projeto. Este é um livro que se assume como uma homenagem a todos aqueles que apoiam este programa e que dele são parte integrante.
O evento contou com as intervenções de Luís Amado, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal sobre “Cooperação em Saúde como Motor de Desenvolvimento”, João Paço, diretor clínico do Hospital CUF Infante Santo e chefe da missão da especialidade de Otorrinolaringóloga em São Tomé e Príncipe sobre “Ser Missionário” e Luís Campos, Diretor do Serviço de Medicina IV do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e Presidente do Conselho Nacional para a Qualidade em Saúde sobre “Um olhar sobre os 25 anos do Saúde para Todos”.
A cerimónia contou também com as intervenções da Administradora Executiva da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, da Presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., Ana Paula Laborinho e do Presidente do Conselho de Administração do IMVF, Paulo Telles de Freitas.O programa Saúde para Todos, com o apoio da União Europeia, da Cooperação Portuguesa através do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., da Fundação Calouste Gulbenkian, da Direção Geral da Saúde de Portugal e da PT Inovação, em estreita parceria com o Governo de São Tomé e Príncipe, tem desenvolvido desde 1988 um amplo programa de reforço no setor da Saúde em São Tomé e Príncipe. Este é um projeto cuja intervenção é reconhecida pelo Estado português como sendo de interesse público, pelas Nações Unidas como um exemplo de boas-práticas em capacitação e desenvolvimento sustentável e que tem sido alvo de vários prémios e reconhecimentos nacionais e internacionais.

Veja o video da apresentação do livro aqui